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SENTIR E PENSAR: AÇÃO E MOTIVAÇÃO

  • Foto do escritor: Alvaro Nunes
    Alvaro Nunes
  • 27 de jun. de 2025
  • 3 min de leitura

Sentir é um ato do coração, mas pensar é um ato da vontade, da mente, onde quer que ela se localize, e que o comodismo das soluções prontas impede. Receitas, conselhos, sugestões geralmente são provenientes de boas pessoas, com boas intenções, mas cabe desconfiar de tudo que é de aplicabilidade geral, sem reflexão e adaptação à própria realidade. Por hipótese, o que seria melhor diante de uma doença: Ignorá-la ou, passivamente, tomar qualquer remédio e permanecer imóvel esperando a cura ou, por outro lado, ficar atento aos sintomas e procurar a ajuda certa, caso note que a doença é mais forte do que você?


Não se sustentam mais os argumentos genéricos e rasos como em certos manuais que se pretendem de auto-ajuda, com soluções universais e, usualmente, fáceis. Longe disto considerar que todas as soluções sejam difíceis, as invenções dos grandes gênios comprovam isto, a descoberta inicial foi apenas um lampejo do que viria após. Apelar para a força de vontade pode ser útil, todavia não suficiente, muitas vezes não resolve, apenas pode gerar esforços infrutíferos, é preciso estar saudável e predisposto para colocar a vontade em ação.


Por outro lado, empregando termos usuais, furar a bola, chutar o pau da barraca, desqualificar argumentos, radicalizar em qualquer sentido, “emburrar” para embaralhar a questão, provocar atrito para inviabilizar soluções, bater na mesma tecla, são ações que possuem o condão de azedar qualquer atitude construtiva e diferente daquelas que já foram tentadas, sem sucesso. É tão cômodo quanto inútil, igualmente, delegar soluções visando apenas delas não participar, apenas colher-lhes os frutos sem esforço.


Quem se contenta em ter uma vida rasa e nem por curiosidade deseja ir mais fundo em suas questões pessoais, pode estar procurando seu deserto particular. Quem sabe estará indo à míngua dos recursos pessoais de que é dotado e deles não faz uso. Em outro sentido, mergulhar mais fundo exige esforço, concentração, pois é preciso começar de fora para dentro, soltando o corpo, desbloqueando, literalmente aprendendo a se mexer, por exemplo, a dançar, a ter jogo de cintura, movimentar todos os músculos. Naturalmente o objetivo destas oportunas providências é descongelar as possibilidades interiores que precisam ser aquecidas e desenvolvidas. Muito sabiamente se afirma que, em primeiro lugar, é preciso entrar em ação, uma sequência de movimentos irá produzir a motivação num momento posterior, para que tudo passe a ter sentido. Movimentar-se é algo que pode doer no princípio, mas é a única forma de penetrar em si mesmo, se conhecer, formular os próprios valores e conceitos, aprender, metaforicamente, a nadar, no sentido de se tornar flexível, até mesmo ser imprevisível para si mesmo, o espaço líquido, por si só, convida ao aprendizado. É nada raro ouvir depoimentos de pessoas que iniciaram alguma atividade sem tanta vontade de fazê-lo, sem saber mesmo o porque daquilo, talvez alguma experiência que tenha levemente lhe ocorrido e aquilo se transforma numa prática em que se vai especializando, ou descobrindo um hobby inusitado, até mesmo fora de suas especialidades habituais. Há gente que até se descobre de verdade em atividades que nunca lhe chamaram a atenção anteriormente. Há quem o faça até em fases mais adiantadas de idade ou diante de alguma limitação que lhe tenha ocorrido. E não foi nada pensado, em termos de planejamento ou ideais de vida, mas sim algo proveniente de algum sentimento difuso, talvez até considerado meio maluco.


A rigor, não existe nada que não “combine” com a gente, o ser humano tem uma capacidade camaleônica de se adaptar a circunstâncias até então sequer imaginadas. Se, porventura, lhe faltou alguma coisa, possui a habilidade sensorial para fazer arranjos que poderão lhe ser especialmente agradáveis e benéficos. Se um caminho lhe foi obstado, por qualquer fator que seja, lhe vem a sensação de que outros rumos estão ao seu alcance e buscá-los pode até não ser um ato de vontade, mas sim de intuição, que é um sentido interior pouco empregado, ou até, quem sabe, de algum prazer inesperado que lhe acontece de repente e lhe incentiva, até por curiosidade, a seguir um pouco mais adiante. Se isto ocorre, é um presságio de que algo bom estará por surgir, basta impedir que a racionalização possa impeli-lo numa velocidade acima daquela que seu instinto parece lhe recomendar. Aí se sucedem fatos que até mesmo não se imaginava.


Até aqui pareceu um raciocínio meio confuso, misturando muita coisa, mas a raiz da questão é saber até que ponto se deve utilizar o Sentir, no que pode auxiliar o ato de Pensar e, de modo particular, perceber como e quando se deve entrar em ação, mesmo que, a princípio, de forma desordenada, ou até mesmo preguiçosa, para ir de encontro, finalmente, à motivação, a fagulha que desencadeia o incentivo para tudo o que se deseja fazer na vida.


 
 
 

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