CORAGEM!
- Alvaro Nunes

- 19 de abr. de 2024
- 3 min de leitura
``Coragem, coragem,coragem…
Se o que você quer é aquilo que pensa e faz
Coragem,, coragem,
Eu sei que você pode mais!!!``
(Por quem os sinos dobram – Raul Seixas)
Todas as atitudes e decisões possuem vários ingredientes, é preciso tê-los bem claros antes de começar qualquer empreitada. Porém, no atual estado de coisas, ao serem cometidas violências, absurdos, injustiças, inversões de valores, agentes públicos incapazes de qualquer consideração humana e de princípios básicos de respeito, cada passo que se pretende dar, necessita de uma dose adicional de CORAGEM que, talvez, ninguém tenha tido a necessidade em fazê-lo.
Chegamos a um momento de tal gravidade em que precisamos reunir toda a coragem que pudermos para preservar o pouco que ainda temos de liberdade, respeito, honradez e tudo o mais que está em risco. Sair da zona de um ilusório conforto, unir-se aos que estão resistindo objetivamente e seguirmos juntos e organizados para uma luta verdadeira, usando as armas da palavra, da razão, da justiça, da verdade, da liberdade. É uma luta de milhões de Davis contra poucos Golias. É sim uma questão de poder, que está sendo, maléficamente, em conluio com meios de comunicação prostituidos. Precisamos encontrar meios de sermos ouvidos e respeitados pelo grupo de títeres que se apropriaram do poder a seu bel prazer. Idéias e iniciativas as temos várias, mas precisam ser amalgamadas e postas em prática. É justamente aí que precisamos reunir nossas reservas de coragem para que tenhamos uma coletividade forte, coesa e organizada o suficiente para encararmos com valentia e confiança aqueles que se consideram monopolistas de um poder sem escrúpulos.
E o que está em jogo? Essencialmente nossa VIDA, bem como a de nossos filhos e netos, donatários de uma existência que estaremos legando a eles. Um exemplo prático e estarrecedor: Uma criança recém-nascida, além de ser um presente divino é, ao mesmo tempo, motivo de preocupação, porque não dizer até de pena. A permanecer como tudo está neste planeta doente, há que se temer pelo futuro das crianças da Terra. Pode ser aterrador afirmar isto mas, diariamente, tomamos conhecimento de violências inconsequentes que ameaçam crianças desde o ventre sagrado de suas mães. Este é o exemplo mais brutal, mas muitos outros o acompanham, urdidos nas trevas onde circulam muitos poderosos.
A liberdade é um bem intrínseco à vida humana e artifícios sordidos estão a negá-la. O fruto do trabalho também é algo sagrado, mas a origem do labor humano produtivo está sendo ceifada e transferida a alguns que nada produzem, os estéreis áulicos do poder. O direito de se fazer representar atualmente é uma ficção ardilosa, uma mentira. Aqueles a quem compete zelar e aperfeiçoar a organização social estão omissos, porque cooptados através das benesses que os poderosos lhes concedem. Mas, um alerta: Como tudo parece estar sendo conduzido para o desastre, nem estas benesses restarão. Negar, através de artifícios que envolvem desde a força bruta até poderosos aparatos tecnológicos, o direito de exercer a cidadania por meio da representação da própria comunidade, nada mais é do que um crime cometido por um grupo de saqueadores da dignidade de uma população, os quais, na verdade, não passam de uma elite podre que veio se organizando nas sombras até se apropriar do poder para exercê-lo em seu próprio favor.
Todos os direitos legítimos, a começar da transparência dos atos públicos, estão sendo vilipendiados descaradamente. Os princípios e valores que devem nortear uma sociedade justa e que dê oportunidade a todos na proporção de seus méritos, estão sendo escarnecidos. Está se tentando descaracterizar a arte, a cultura e, principalmente a educação, substituindo-as por mal enjambradas manifestações deletéreas, com o fim de destruir o que a sociedade, com seu próprio esforço, já construiu de bom, belo e útil. Arremedos de projetos legislativos ora em curso, que visam beneficiar alguns poucos, em detrimento da minima decência e honestidade, encontram livre curso, passando por cima de uma minoria decente que se opõe a isto.
Injustiças flagrantes, agressões e encarceramentos injustificáveis, emudecimento compulsório de vozes que buscam mostrar a verdade e a razão das coisas, leniência em relação a crimes graves como o tráfico de entorpecentes, todos são exemplos daquilo que assistimos calados e impotentes, por enquanto.
Inúmeras situações poderiam ser apontadas quanto a estes desvios que atingem diretamente nossas vidas – e me refiro à própria sobrevivência – que acredito sejam suficientes para nos sacudir da letargia e nos organizarmos no sentido de lancetarmos o núcleo que nos levou a este estado de coisas. Se os maus souberam se organizar com tanta perícia, porque os bons não podem fazer o mesmo?
Existem muitas lideranças positivas em ação, a elas cabe a cada um se vincular, para constituir uma união capaz de restaurar a decência, a honestidade, os bons princípios, assegurando a continuidade dos nossos dias e, principalmente, garantindo um futuro viável e positivo para aqueles que estão vindo depois de nós.






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